No último sábado sai para procurar meu vestido para o dia do casamento. Peguei indicações com pessoas próximas, calcei um sapatinho baixo e sebo nas canelas. Ao final da manhã, cheguei a conclusão que não fui clara o suficiente com essas pessoas e vou explicar o por quê. Desci do ônibus no início da Manoel Dias, parei quando já estava na praça Nossa Senhora da Luz. Entrei em todas as lojas de noiva e festa, sem sucesso. Mas, eu sou guerreira e não desisto fácil, reabasteci com suco e fui para segunda jornada. Na Paulo VI fiquei no ponto do Correio, cruzei a avenida inteira até quase o Itaigara.Nas duas avenidas ouvi e vi as mesmas coisas. Nas lojas de noiva, as vendedoras ofereciam vestido branco, longo e cauda “pra dar caimento”. A dona da loja, uma distinta senhora com cara de fada madrinha deve ter percebido a enorme interrogação em minha testa e veio até mim “noiva é noiva em qualquer lugar, no fórum ou na igreja”. Escolheu um vestido e me acompanhou até o provador. “Não é lindo?” - perguntou. “Sim!”. Não havia outra resposta a dar, o vestido era realmente lindo. Não consegui me reconhecer no espelho, parecia uma personagem dos contos de fadas da Disney, respirei suave debaixo daquelas anáguas. Quem me conhece sabe o quanto eu sou desastrada e considerando meu histórico de ocorrência de eventos adversos não quis respirar normal, vai que um botão voa ou eu viro a própria abóbora? Expliquei que o casamento será numa manhã de verão, só no fórum, sem festas (blá blá), porém, tive que experimentar mais 3 vestido até ela desistir.
Nas lojas de festas o discurso era unânime “Que besteira é essa de casar de branco? Inove!”. Discurso desse pessoal que estuda moda “você é o que você veste, você é bárbara!”. – Uauauaua esse trocadilho eu ouço a vinte e cinco anos, já era chato ouvir como paquera, imagina de uma vendedora. Au au au eu sou uma bárbara tradicional!!! Os modelos eram lindíssimos, várias cores de amarelo a vermelho passando pelo marrom (tom sobre tom não rola no dia a dia, imagine no dia do casamento!). Perguntei sobre um vestido cor pérola ou champagne, a vendedora olhou com desdém e perguntou “nude?”. Hum?? Tentei amenizar a situação e expliquei que há dois anos, na ocasião da formatura ainda a cor ainda era pérola ou champagne, “mudou foi?”. Ela respondeu na lata, sem aliviar “o nome da cor é nude!”.
Passei por vendedoras de todos os tipos. Algumas deram indicações de outras lojas, deixei cadastro para voltar quando chegassem peças novas, ... um hora da tarde eu estava no final da Paulo VI suada, cansada, com o sol fritando meu juízo e sem uma proposta de vestido. Aquela cena me deu um desespero que eu desabei no choro ali mesmo. E se eu não conseguir comprar um vestido? E se eu não der tempo? E se..? E se...? Peguei um ônibus e voltei murcha para casa.
Recuperada a sanidade, lembrei que o mais difícil eu já tenho que é o noivo, o resto é complemento. Importantes complementos, é verdade, mas, só complementos. Resolvi que em último caso, compro um lençol puro algodão 200 fios enrolarei em meu corpo como as mulheres das tribos africanas. Meu vestido será chique, caro e exclusivo como das artistas. Ainda tenho outras avenidas para enfrentar mas, se alguém tiver o telefone de uma boa costureira, eu tô aceitando!































Românticas ou não, nós mulheres sempre temos músicas incríveis que marcaram aqueles momentos especiais com aquele carinha que de repente abrimos os olhos e percebemos que ele nem é tudo isso! A regra é não se culpar por isso, acontece!! rsrsrs Outras vezes ele tão especial que dá frio na barriga de lembrar dos seus beijos mesmo depois de tempos namorando.


