10/11/2009

Vestida para casar

No último sábado sai para procurar meu vestido para o dia do casamento. Peguei indicações com pessoas próximas, calcei um sapatinho baixo e sebo nas canelas. Ao final da manhã, cheguei a conclusão que não fui clara o suficiente com essas pessoas e vou explicar o por quê. Desci do ônibus no início da Manoel Dias, parei quando já estava na praça Nossa Senhora da Luz. Entrei em todas as lojas de noiva e festa, sem sucesso. Mas, eu sou guerreira e não desisto fácil, reabasteci com suco e fui para segunda jornada. Na Paulo VI fiquei no ponto do Correio, cruzei a avenida inteira até quase o Itaigara.
Nas duas avenidas ouvi e vi as mesmas coisas. Nas lojas de noiva, as vendedoras ofereciam vestido branco, longo e cauda “pra dar caimento”. A dona da loja, uma distinta senhora com cara de fada madrinha deve ter percebido a enorme interrogação em minha testa e veio até mim “noiva é noiva em qualquer lugar, no fórum ou na igreja”. Escolheu um vestido e me acompanhou até o provador. “Não é lindo?” - perguntou. “Sim!”. Não havia outra resposta a dar, o vestido era realmente lindo. Não consegui me reconhecer no espelho, parecia uma personagem dos contos de fadas da Disney, respirei suave debaixo daquelas anáguas. Quem me conhece sabe o quanto eu sou desastrada e considerando meu histórico de ocorrência de eventos adversos não quis respirar normal, vai que um botão voa ou eu viro a própria abóbora? Expliquei que o casamento será numa manhã de verão, só no fórum, sem festas (blá blá), porém, tive que experimentar mais 3 vestido até ela desistir.
Nas lojas de festas o discurso era unânime “Que besteira é essa de casar de branco? Inove!”. Discurso desse pessoal que estuda moda “você é o que você veste, você é bárbara!”. – Uauauaua esse trocadilho eu ouço a vinte e cinco anos, já era chato ouvir como paquera, imagina de uma vendedora. Au au au eu sou uma bárbara tradicional!!! Os modelos eram lindíssimos, várias cores de amarelo a vermelho passando pelo marrom (tom sobre tom não rola no dia a dia, imagine no dia do casamento!). Perguntei sobre um vestido cor pérola ou champagne, a vendedora olhou com desdém e perguntou “nude?”. Hum?? Tentei amenizar a situação e expliquei que há dois anos, na ocasião da formatura ainda a cor ainda era pérola ou champagne, “mudou foi?”. Ela respondeu na lata, sem aliviar “o nome da cor é nude!”.
Passei por vendedoras de todos os tipos. Algumas deram indicações de outras lojas, deixei cadastro para voltar quando chegassem peças novas, ... um hora da tarde eu estava no final da Paulo VI suada, cansada, com o sol fritando meu juízo e sem uma proposta de vestido. Aquela cena me deu um desespero que eu desabei no choro ali mesmo. E se eu não conseguir comprar um vestido? E se eu não der tempo? E se..? E se...? Peguei um ônibus e voltei murcha para casa.
Recuperada a sanidade, lembrei que o mais difícil eu já tenho que é o noivo, o resto é complemento. Importantes complementos, é verdade, mas, só complementos. Resolvi que em último caso, compro um lençol puro algodão 200 fios enrolarei em meu corpo como as mulheres das tribos africanas. Meu vestido será chique, caro e exclusivo como das artistas. Ainda tenho outras avenidas para enfrentar mas, se alguém tiver o telefone de uma boa costureira, eu tô aceitando!

04/11/2009

Ressaca, chega de saudade


Ontem acordei com ressaca, chega de saudade. Apesar de Rodin no domingo, o feriado foi o ô, chega de saudade. Foi só eu parar de chorar aqui, que parou de chover lá! É mole? Né não, é pra’eu aprender. Minha amiga F. fala para me acalmar "saudade assim é bom", mas né não amiga. Saudade é pior que fome, minha geladeira está cheia e esse vazio cá dentro? - desculpa Deus, a verdade é que eu nunca senti fome - Descobri uma coisa que cura saudade: rotina. A garota da qualidade adora rotina. Horários, planos de ação, procedimentos e prazos. Rotina ocupa o lugar da saudade em dois tempos. Pique de estudo, atividades, leituras, malhação, ônibus cheio, ouvir conversa alheia durante o engarrafamento, até esqueço o nome desse incomodo no peito. Depois da hidro fiquei boiando na piscina, com braços e pernas abertas, em forma de estrela, sentindo o abraço do sol. Aquele abraço me deixou feliz e cheia de coragem (quem sabe eu consigo desarrumar a mochila que ainda está ao lado da cama). Chegando em casa, recorri ao posto de “emergência poética” sugerida por Elisa Lucinda. A prescrição foi Adélia Prado, “Leitura”, compartilho um trechinho com vocês:
“(...)
Eu sempre sonho que uma coisa gera,
nunca nada está morto.
O que não parece vivo, aduba.
O que parece estático, espera.”

02/11/2009

Ai, se ter saudade é ter algum defeito
Eu pelo menos, mereço o direito
De ter alguém com quem eu possa me confessar
Dorival Caymmi
Por ora, abusos vocês...
A noite de vésperas meu corpo queima em febre. Rezo para que a chuva passe, mas, minhas lágrimas continuam a inundar a cidade. A ansiedade ocupa o lugar do sono apesar dos remédios e a dupla rodada de leite quente com canela. O dia não demora chegar. Recebo por telefone a notícia do cancelamento do vôo. Na boca o gosto amargo da decepção sem consolo. Ao primeiro sinal de sol saio de casa, numa tentativa frustrada de esquecer o acontecido, de não pensar como poderia estar feliz agora. Na rua, um homem fala sozinho sobre a falta de cuidado com suas obras, artistas são excêntricos, sigo olhando para frente alheia aos passantes. Refaço caminhos percorridos juntos desejando encontrar o sorriso dele na próxima esquina. Um casal na minha frente combina passar férias no Espírito Santo, a moça sorri enquanto o rapaz fala dos lugares lindos que ele a levará.
Paro para ver o mar.
Distraída, lembro da primeira vez que passamos juntos naquele lugar. Uma primavera como hoje, já passavam das dez da noite. Parecia tranqüila, mas equilibrava em meu salto o nervoso do primeiro encontro com o medo de andar na ladeira da Barra àquela hora. Ainda hoje não sei explicar porque aceitei a caminhada depois do cinema. As mãos macias dele acarinhando as minhas seguidos de um bom dia eram o máximo de intimidade que tínhamos, a delicadeza do gesto justificava o risco. Sinto o seu cheiro de manga rosa e minhas lágrimas se misturam ao sorriso doce de saudade. Preciso de seu abraço...

Quando eu penso em ser acolhida, só seu braço
Entre abraços meu medo some
Meus poros respondem ao toque dos seus cachos
Uma inércia prazerosa toma conta do meu corpo
Flutuo leve
Nenhuma palavra
Sou outra pessoa aqui

Sinto vontade de ficar em pé na balaustrada, de ficar aberta em formato de estrela permitindo que o sol toque todas as partes do meu corpo dolorido, que me enxugue e me permita seguir a viagem. A caminhada continua sem destino certo. Quem sabe andando, deixo para trás essa necessidade de você? Ando rápido, mais rápido, mais rápido... Alguém em minha frente resmunga.
Paro.
É o mesmo homem de mais cedo. Dessa vez, fala sobre a invasão em seu quarto e não tenho certeza se ele é artista de fato. Reparo a lua no céu, o azul infinito. Do continente vejo as luzes da ilha onde você está. Não consigo compreender o número, estou entre o silêncio e a saudade, a mil quilômetros de distância de tudo.

31/10/2009

Hoje eu iria assim, vestida de nuvem...

30/10/2009

"Quem cava dentro de si até encontrar o rancor... abre no seu coração um buraco, por onde se esvai a felicidade."

Hoje, como outros dias, logo depois do almoço, ouvi o programa de Medrado na Metrópole. Uma ouvinte contou que há ano tem um sonho recorrente com uma pessoa que perdeu contato há muitos anos. No sonho essa pessoa avisa que morreu. Intrigada pela constância e pela mensagem, a ouvinte decide procurar a tal pessoa do sonho e descobre que ela morreu exatamente na ocasião de início dos episódios. Medrado não tem dúvidas e responde “ele veio te avisar que morreu”. Em tom de sermão fala sobre a ligação que temos com as pessoas, como não vale a pena guardar mágoa no coração, o quanto faz mal a quem sente.
Lembrei de uma situação que aconteceu há quase dois anos atrás, um desentendimento, daquelas coisas que a gente faz na hora da raiva, com o sangue fervendo nas veias, depois bebe água, pede a Deus sabedoria para conduzir a situação, dorme e supera. No início do mês passado estava numa festa e recebi um empurrão como resultado do evento citado. Tive vontade de revidar e enquanto a olhava fingir dançar como quem está feliz, vi que ela não estava feliz e senti pena. Pena é sentimento ruim, quero sentir não. Abri e fechei os olhos e voltei a me divertir ao som de Ronei Jorge e os ladrões de bicicleta – excelente show, diga-se de passagem.
A verdade é que essa situação mexeu comigo. Não me alimentei de ódio e revidei, superei ali, na hora porque ser feliz é uma questão de escolha. Se escrevo esse texto agora é porque minha escolha foi feita. Quero sempre deixar meu coração limpo, vazio, aberto para receber todas as coisas boas que Deus reservou para mim. Tenho essa necessidade de rezar, de aquietar a minha mente, de me conectar com o bem...
Por estar sóbria, por escrever esse texto, publicá-lo e não temer a exposição “flores a Genúsia”.

24/10/2009

Capítulo 2

Minha avó J. foi uma jovem rebelde que aos 18 anos abriu mão das prendas e bons modos para começar vida nova em Brasília com o também rebelde A. Quase cinqüenta anos depois conserva o bom gosto pela literatura e pelo cinema aprendido em casa, J. iniciou uma coleção de filmes clássicos que somam 180 títulos. Cada aquisição é motivo de festa, mostra para todos, conta a história, refaz o cadastro na agenda e empresta para os mais próximos. Por vezes ela seleciona um DVD e me entrega com o seguinte recado “uma mulher culta tem que conhecer esse filme, assim você não passa vergonha em lugar nenhum”. A casadinha literatura e cinema agrada de cinéfilos não assumidos a escritores-leitores compulsivos. E, para este último grupo não existe melhor opção de presente que livro. Num desses passeios a livrarias e sebos, W. trouxe para mim “Bom dia, tristeza” de Françoise Sagan. Esse livro foi escrito quando a autora tinha 18 anos, logo após sua publicação virou Best seller e em 1958 virou filme do diretor Otto Preminger. Quando chegamos em casa no domingo, J. acenou pela janela e pediu que entrássemos para mostrar sua nova aquisição. “Bom dia, tristeza” é um clássico que com certeza, em alguma momento, entraria na coleção de J. e entrou no domingo após eu ter ganhado o livro. Eu e W. nos olhamos e rimos muito, mostrei o livro e todos na sala entenderam o motivo de nossa surpresa. Sorte minha ter essa dupla por perto.

20/10/2009

Comemorações

1. Prorrogação do prazo de IPI reduzido para compra de fogão e geladeira - Lula pensa em mim!;
2. Promoção G Barbosa - conjunto de panela de inox com tampa de vidro por R$ 99,00;
3. Fazendo a lista de casamento on line, a Tok & Stock entrega em casa e monta.

Sei que é fase (...) muita ansiedade, vontade de puxar o futuro para perto, colocá-lo no colo, de brincar de bola e rolar no jardim. Fase boa essa de acreditar que as coisas serão do jeito que estão sendo planejadas.

18/10/2009


"Isso realmente aconteceu. Como tudo o mais que escrevi neste caderno vermelho, é uma história verídica.”

Acabei de ler “O Caderno Vermelho”, de Paul Auster. Um livro de pequenas histórias reais vividas pelo próprio autor ou por pessoas próximas sobre coincidências da vida, encontros ou destino (quem sabe?).

Pensando sobre como cheguei até este livro, encontrei coincidências incríveis e dei muitas risadas. Gostei tanto da proposta que resolvi escrever o Caderno Vermelho de Jolie.


Capítulo 1
Acompanhar os blogs de amigos é uma das atividades que mais toma meu tempo enquanto estou na internet. No mês de julho, li no blog de M. a indicação da leitura d’“O Caderno Vermelho”, de Paul Auster. Estava precisando de uma leitura mais leve, algo para distrair a cabeça, comentei com alguns amigos e até coloquei em meu blog o desejo de lê-lo. Tentei trocar com alguém, como fiz para ler “18:30”, mas não obtive êxito, ninguém se candidatou a trocar ou me emprestar. Para não ficar com aquele gostinho de “quase”, W., que é rato de livraria, me presenteou com o esperado livro.

Em 2008, ganhei a coleção de livros das Edições K e sem nenhum motivo especial comecei pelo livro “Dizer adeus”. Gostei do livro de contos de suspense, comecei acompanhar o blog de M. sempre com interessantes indicações de filmes e livros. Comentei com o meu então namorado que gostaria que meu livro fosse autografado e ele ficou de me apresentar ao autor. Passado algum tempo conheci M., sua fisionomia não me pareceu estranha, sabia que já o tinha visto em algum lugar, só não sabia onde. Falei que gostei do livro e tivemos uma agradável conversa, quando então ele contou que foi professor da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS. Desvendado o mistério. Eu estudei pedagogia, curso vinculado ao departamento de Educação, na mesma época em que M. foi professor do departamento de Letras. Exatamente em 2005, ano de lançamento do “Dizer adeus”, estávamos circulando pelos corredores da mesma universidade sem trocar uma só palavra.

12/10/2009

alguma coisa me diz que amar assim
é cair de cabeça para cima na lua
e sem aviso prévio ou pára-quedas
passar pela nuca a navalha da vida

ou talvez um rosto com dentes à mostra
entre a carne e a saliva do excesso
sob um céu que se abre em festa
e se esvai em seu azul sem limites

decisão medusada em que isso de amar
é cair ou talvez um rosto com dobras
hora exata em que todos movem suas mão
se o contrato de posse rompem com o mundo

ou talvez um rosto nos mande sinais
de que amar é cair de cabeça nas nuvens
que se partem em pedaços de luz por entre
alguma coisa que resiste no sangue

"ALGUMA COISA" de Sandro Ornellas, amigo e poeta super querido.

Sobre a coragem de ser romântica não tenho muito que escrever, se eu pudesse controlar talvez não deixasse assim tão explícito. Por outro lado, porque guardar para si uma felicidade desse tamanho? Amo mesmo!!

08/10/2009

O jardim de Miró é meu!


O meu Jardim de Miró é uma imensidão de verde. Tudo aqui é novo, limpo e cheiroso. As pessoas são educadas e falam baixinho, tudo nelas transpira carinho. Para chegar é bem facinho, eu pisco o olho três vezes e respiro fundo. Cheguei. Sorrir!

Eu sei que estou só de passagem, a viagem é longa e começou há pouco tempo. Não estou com medo de acabar não, despedidas são etapas vencidas. Sentirei saudade, poderá ser sofrido, eu sei... mas, agora eu quero brincar, deitar e rolar.

Que seja tranqüila essa estadia em meu Jardim de Miró!!!
O jardim, Miró em 1977

04/10/2009

in constructor

Alguns amigos quando me encontram no MSN perguntam quando encontrarão no blog as inquietações do casamento. É muito engraçado porque meus inquietos leitores querem post sobre os preparativos, expectativas, a escolha do vestido, chá de cozinha, datas e coisas do gênero. A verdade é que eu não escrevo sobre isso aqui porque ainda está tudo in constructor.
Esse sábado eu fui ao shopping olhar coisinhas de casa: jogo de jantar, panelas, lençóis, móveis etc. Pensei em ir numa loja bacana, pescar a lista de chá de cozinha deles, ver as prioridades, ir cortando o supérfluo, deixando outros só por vaidade e tal. O detalhe é que agora as lojas fazem a listinha do chá personalizada. Muito bacana para quem tem idéia da quantidade de toalhas que irá precisar por exemplo. Pensei que três conjuntos fossem o suficiente, expliquei para o vendedor que era um casal sem filhos, poucas visitas... O mínimo são quatro tralalalá outros quatros de cama, conjuntos de jantar com seis pratos é o melhor, o conjunto de talheres que combine e tal e tantas regrinhas para ser uma dona de casa tipo “básica”. Pensei que hoje escreveria um e-mail para meus amigos falando sobre os presentes que eu preciso ganhar. Voltamos à estaca zero!
Eu sei é que é muito gostoso esse clima de planejamento. Meu noivinho acompanhando cada etapa, opinando sobre a cor/ modelo do jogo de jantar, sonhando com os pratos que irei preparar [suspiros inevitáveis]. Estou imune, nada pode abalar a felicidade que estou sentindo.
O poeta tinha razão: é impossível ser feliz sozinho...

01/10/2009

dia de praia

- Venha menina uma cadeirinha por dois reais!
- Agora não, obrigada. Vou andar um pouco.
- Já veio andando de casa, quer andar mais o quê?

Respirei fundo e sem olhar pra trás continue minha “chegada”. Eu estava na praia, curtindo minha quinta-feira e ele trabalhando. Por ora, eu estou no lucro! Definitivamente, a praia do Porto da Barra merece um estudo acadêmico sério, antropológico ou qualquer outro lógico que explique como pode num mesmo espaço coabitar todo tipo de gente. Vá lá que praia é um espaço democrático mas lá, essa premissa é levada muito a sério.

Sentei numa cadeirinha e fiquei observando a movimentação. Ao meu lado, uma família, pai, mãe, um bebê e uma menina de cinco anos. O pai enchia a piscininha e ela esvaziava (flagrei pelo menos três vezes) reclamando sempre “eu quero onda, eu quero onda!”. Do outro lado, três meninas tomavam sol cobertas pela mistura de blondo e água oxigenada. Entre cigarros e cervejas, muitas gargalhadas e flerte com os rapazes da barraca. Um grupo de cinco capoeiristas ficou dando mortais, coisa muito linda, talvez Diego Hipólito não se arriscasse naquela superfície fofa de areia. Um hippie de fala latina deixou seu mostruário de adereços artesanais para tentar alguns saltos, valeu a tentativa. Valeu tanto que acompanhei a conversa de alguns capoeiristas falando que ele teria sucesso se treinasse. Sim! O gringo foi incorporado ao grupo.
Pedi uma água de coco superfaturada e me distrai um pouco lendo até que a chuva começou a cair. Enquanto me arrumava para ir embora, lembrei da última vez que estive no Porto da Barra, acho que também foi num dia de semana e estavam comigo Ari e Gustavo. Nós comentamos sobre o ritmo singular do local, rimos muito observando a movimentação e as figuras que circulavam. Inquietações bumerangue. Porto da Barra – a praia mais democrática de Salvador!

30/09/2009

Placar


ANTONIO 81 x 69 JACYRA

(30/09) (01/10)




29/09/2009

terça-feira é dia útil

Acordei cedo, lavei os pratos, arrumei a cozinha, lavei duas sapatilhas, arrumei a estante do quarto (livros, apostilas, presentes, fotos, documentos, bijus, tudo em seu lugar), tomei uma xícara de café com leite e comi beijú, li/ respondi e-mails, preparei uma macarronada com manjericão para o almoço, consegui ler um texto de Moretto e ainda são 15 hs. Isso que é dia útil!!!!

a primeira vez

o despertador tocou às cinco. como nos outros os dias, ele fez seu trajeto diário de bicicleta e cumprimentou os colegas num café, no posto de gasolina, próximo trabalho. na televisão, o jornal local divulgava imagens da madrugada enquanto o corpo de bombeiros tentava controlar o incêndio na fábrica. vendo o noticiário, sentiu o prazer tomar seu corpo magro. despido de toda culpa, lamentou a tragédia com os colegas que aguardavam a liberação pela chefia. ele que estaria entre os últimos na fila dos suspeitos era o único capaz de explicar o aconteceu naquela noite. acima de qualquer suspeita, aproveitou seu dia folga como voluntário distribuindo mantimentos aos desabrigados das casas vizinha a fábrica.

Cachaça é Educação!

A discussão na sala de aula ontem:
A Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos, no Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo do Retiro, atende o ensino fundamental e só matricula 15 alunos por sala. O Colégio Parque, na Caixa D’Àgua, tem um convênio com a faculdade de medicina da UFBA, o colégio sede o teatro para os eventos em contrapartida, os médicos atendem os meninos na própria instituição. Está na LDB 9394/96 que cada escola tem autonomia para elaborar seu Projeto Político Pedagógico. É de responsabilidade dos gestores utilizarem o PPP para negociar junto às secretarias de educação as necessidades da escola. Por que algumas conseguem?
De repente a trilha sonora do meu estado emocional era um punk rock que conheci recentemente: “não não eu não sei sei o que é é o que não é é (...)”

24/09/2009

A história do usa de alianças entre os casais começa com os egípcios e dura até hoje com a tradição difundida pela igreja católica. Quem nunca ouviu essa história? Agora, pergunta-se: por que uma situação corriqueira na vida de qualquer casal vira uma odisséia quando trata-se da fabulosa vida de Amélie Poulin? Hoje, finalmente, eu estou com o anel oficial. Depois de um mês de escolha do modelo, joalheria, preço, prazo, palito de fósforo e sobremesa, saímos para comprar. Ótimo! Linda, delicada, discreta, exatamente como eu queria. O noivo não teve dificuldade, tirou da caixa, colocou no dedo e pronto. A noiva, bem a noiva, é... tipo assim, tem um dedo número onze. Se você é entendido de anéis sabe que número onze é medida de criança, logo não fabricam alianças número onze. A ansiedade era tanta que, no dia, o número doze coube como uma luva, só no dia. No outro, a cada espirro a aliança pulava do dedo, tive que colocar o único anel que tenho para segurá-lo.

Só um parêntese, o único anel que eu tenho é o da formatura porque não dá para ficar sem, né? Sai para comprar com Aline, cúmplice de todas as horas, e ela foi testemunha do meu sofrimento. O dono da joalheria, um português brabo, olhava para nós duas e dizia “número onze é de criança, experimente de novo”. Depois de muita negociação ele aceitou apertar. Sem falar que o portuga dizia que a pedra da pedagogia era safira (azul), e nós explicávamos é ametista (lilás). Não teve santo que dobrasse velho! Resultado: é número onze, mas a pedra é safira.

Enfim, voltei a joalheria, expliquei a situação e tal. Novamente cruzo com um portuga, dessa vez mais tranqüilo, disposto a me ajudar. Olhou minha mão, meu dedo, sorriu – acho que nessa hora ele pensou anel número onze é medida de criança – pegou a caixinha das alianças e o medidor de anéis. Mediu um por uma e testou em meu dedo. Muito engraçado porque eu experimentei umas cinco alianças número doze até ele se convencer que a minha teria que ser onze. Nem reclamei, afinal de contas, além de comprar um número maior (se fosse sapato eu não poderia trocar) eu mandei gravar o nome do dito cujo noivo na parte interna no anel. No final da manhã, ele sorriu e prometeu uma aliança nova em três dias.

Hoje eu estou aqui sorrindo boba, feliz, leve, a noivinha do ano... suspirando, pensando nos planos para o futuro da senhora Cazé.

22/09/2009

HOJE É DIA DE MICROAFETOS

20/09/2009

Domingo é dia de parque

Retrofoguetes no palco do parque da cidade garantia o som de boa qualidade. Cheguei cedo e pude conferir os estilos da galera. Na banda, Rex com o cabelo penteado para o lado, arrumado com gel e sua carinha de bom moço disfarça bem até chegar perto da bateria – comanda um som furioso ao lado com companheiros de estrada. Às vezes, eu tinha a impressão de ver um Zé gotinha no palco! Ou era Morotó Slim? Oh dúvida cruel!!! Na platéia, as meninas usavam óculos vermelho (brega!). Até me perguntei, ingenuamente, se era obrigatório!? Percebi que, em algumas, o tom do batom combinava com a cor dos óculos (muito brega!). Os meninos, tão vaidosos quanto, exibiam seu estilo: bermuda xadrez, sandálias, camisas mito e dread lock na cabeça. Sei o que é isso, isso é fazer parte da tribo, todos estão cheios de pertencimento. Confesso que aos 17 anos não pertencer a alguma tribo era complicado, aos 25 eu tiro de letra. Quando alguém me pergunta, eu respondo “sou da turma dos sem-floresta”. É maravilhoso não ter crachá, estou em trânsito. Vou a festas de roqueiros, pagodeiros e funkeiros, almoço entre escritores e intelectuais, janto com faxineiros e no fim do dia durmo feliz. Nunca aceitei essa ditadura das tribos. Sou livre como uma ave fênix. Lamento por vocês, Girls!

16/09/2009

Tocando em frente

De Almir Sater e Renato Teixeira
Lição de HUMILDADE
Ando devagar porque já tive pressa/ Levo esse sorriso porque já chorei demais/ Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe/ Só levo a certeza de que muito pouco eu sei/ Eu nada sei

Lição de COERÊNCIA
Conhecer as manhas e as manhãs,/ O sabor das massas e das maçãs,/ É preciso amor pra poder pulsar,/ É preciso paz pra poder sorrir,/ É preciso a chuva para florir

Lição de RESPEITO E PACIÊNCIA
Penso que cumprir a vida seja simplesmente/ Compreender a marcha e ir tocando em frente/ Como um velho boiadeiro levando a boiada/ Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou/ Estrada eu sou

Lição de DESAPEGO
Todo mundo ama um dia./ Todo mundo chora/ Um dia a gente chega/ e no outro vai embora

Lição de CORAGEM
Cada um de nós compõe a sua história/ Cada ser em si carrega o dom de ser capaz/ De ser feliz

A professora esqueceu de fazer o dever de casa...

13/09/2009

CEFET 99

Amigo é coisa para se guardar

Foi no último sábado, 12 de setembro, às 16 horas. É, foi sim. Conseguimos. Dessa vez, fomos mais de vinte, foram fotos, histórias, memórias, saudades e muitas (muitas!) resenhas. Lembramos da época em que Andrea, Carol e Audi dividiam um salgado na hora do lanche, comiam mais de dez paçoquitas por dia e ouviam Backstreet Boys; graças a Andrea, Sidney Sheldon era leitura obrigatória para meninas; na lanchonete dos gêmeos fizemos as melhores farras nos últimos dois anos do ensino médio; Denise e Pacotinho casariam virgens na santa Igreja Católica Apostólica Romana não fosse os beijos na escadaria do pavilhão de química que deram origem a uma incrível verme que hoje tem 5 anos, nossa mascote Fernandinha; Pacotinho não deixava ninguém resolver as questões de matemática “acabou a questão”, quem não lembra?; Guigó e Alan Tigrão eram da turma do karatê; as aulas de Sebastião, Sinval e Jorge Uzêda, salve-salve!; outro dia Valquíria foi passear no shopping acompanhada do marido e encontrou Zé Luis, professor de educação física, que faz o seguinte comentário “você é aquela aluna que filava aula para namorar no quartel!”; a vida afetiva de B. correspondia a seguinte equação matemática beijar= (a+b+c...+z) – Ade...; Ainda bem que muita coisa mudou, afinal de contas, algumas histórias acabam com propostas de casamento.

No mais, Alice continua comendo feito louca, não entendo como mantém aquela cinturinha, a marmita dela só não foi maior que a de Fernandinha (tudo bem, era para alimentar três pessoas); Tatinha continua a própria tradução do carinho; Audi+Samuel e Denise+Pacotinho comemoram esse mês oito anos de namoro/ casamento, êba!; Eu não estou grávida, para não ter dúvidas, vale repetir: eu não estou grávida!; Guigó continua a buscar fiéis; Vânia agora é dançarina de dança do ventre, Vilmar que se segure! Aisi iniciou um romance com Cledson “o fotógrafo”, mas, preferiu terminar com Alan Tigrão (uau!), Almeidinha desistiu de se candidatar; Todos torcemos pelo final feliz desse triângulo (quadrado ou a poesia de Drumond?!) amoroso.

Algumas ausências foram sentidas, outros colegas perdemos no tempo e não conseguimos contatos, agora tudo é saudade...

Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.

09/09/2009

Na Bahia pós-ACM é assim...

Ontem, na volta para casa, ainda no ônibus, ouvi uma voz feminina falando “Não era muito simpatizante de ACM não, mas, se ele estivesse vivo a cidade não estaria desse jeito. Ele já teria mandado matar esses bandidos. Era assim que ele fazia. Por mim matava esses bandidos todos” Pergunta-se: a polícia que queremos ou precisamos é do tipo grupo de extermínio fardado? Não sei como tem gente ousa dar soluções simplistas para um problema complexo como é a violência.

07/09/2009

...e no dia da independência, ele decidiu ser enforcado.

05/09/2009

Às vezes, eu quero só viver um sonho bom.

03/09/2009

bora?


Esse final de semana estarei com o pé na estrada de raodie do grupo CORTE. Quem quiser arriscar, no sábado o cardápio é pastel de miolos com caixa de abelhas, uma mistura bomba mesmo para Pucca-de-ferias-na-Bahia rsrsrsrs. No dominho, será rock, punk e muita carne de bode. Uhuhuhuhuhu

Independência que nada, em 2009, o 7 de Setembro será a segunda-feira da indigestão!

Venha e bom apetite!

02/09/2009

Até Saramago...


Até Saramago sucumbiu a esses tempos de despedida... dito isso, silêncio.
Cortarei meus cabelos, sinal de combustão da ave fênix. Renascerei outra, eu mesma, mais corajosa. Outras necessidades, novos projetos. Ser mais singular talvez seja um caminho quando estamos em busca da verdade sobre a vida.

30/08/2009

Despedida na novela



Eu chorei quando assisti essa cena. Vendo o replay meu olho alaga, besteira tentar evitar...Cheguei a conclusão que eu não sou romântica. Eu preciso de um amor vivo, quente, presença, pele, beijos e olhos. Não sei em que medida a vida imita a arte ou a arte imita a vida, a verdade é que ainda hoje, mulheres continuam abrindo mão de suas vidas em nome do amor. A avó fala, a mãe fala, a vizinha fala, a amiga fala e não adianta. A história de repete, as mesmas escolhas equivocadas. Ingênua Maia. Quando se tem tão pouco porque apostar perder tudo? E perder tudo! Onde estavam as lamparinas de seu juízo, Maia?

Eu invejo os homens e sua capacidade de tomar decisões friamente. Como Bahuan, qualquer homem mantêm a cabeça no lugar no momento de escolha entre o amor e a profissão, eles sempre escolhem a profissão. Escrevo isso sem querer ser polêmica, minha pouco experiência diz que é verdade. Da minha turma de pós, por exemplo, das 30 alunas, pelo menos 5 saíram de suas cidades por causa do marido. Deixaram sua terra, seus pais, amigos e optaram pelo amor, recomeçam suas vida profissionais a cada transferência. Lição de coragem? Escolhas equivocadas? Acertadas? Sei não, só sei que é assim.

Despedida na literatura

No outro dia veio um carro do hospício, dois homens pegaram a velha e a levaram. Antônio Balduíno se agarrou com ela. Não queria deixar que a levassem. Tentava explicar:
- Não é nada, não. É só dor de cabeça que ela tem. Mas pai Jubiabá cura.. Não leve ela...
Luiza cantarolava, indiferente a tudo. Mordeu a mão do enfermeiro, atracou-se com ele e só soltou quando o trouxeram à força para casa de Augusta. Então todos foram muito bons para ele. Zé Camarão veio conversar com ele, falar em violão e capoeira, seu Lourenço da venda lhe deu caramelos, sinhá Augusta dizia coitadinho, coitadinho. Veio também Jubiabá que amarrou uma figa no pescoço de Antônio Balduíno:
- Isso é pra você ser forte e corajoso... Eu gosto de você.
Trecho de Jubiabá, Jorge Amado

Nessa passagem do livro Jubiabá, Jorge Amado conta a difícil separação entre o menino negro do morro, Antônio Balduíno, de sua tia e única referência de família, Luiza que enlouquecera. Baldo sabia que perderia para sempre sua tia se deixasse levá-la, fez o quanto pôde para impedir. Talvez, em sua fragilidade infantil não percebesse que aquilo seria melhor para todos, Luiza precisava de tratamento, ele precisa das oportunidades que o comendador poderia oferecer...
Essa despedida poderia ser ainda mais dolorosa. Se Luiza estivesse lúcida e quisesse ir sem data para voltar ou para buscar Baldo? Despedir-se é sempre difícil, mesmo quando é necessário. Em vários trecho desse livro, percebo minha vida escrita em prosa. Bom re-ler Amado.

24/08/2009

Cirque du Soleil

Quando vi a primeira propaganda da turnê do Cirque du Solei no Brasil, decidi que faria o possível para assistir o espetáculo. Num momento de distração, revelei meu interesse e a notícia virou pauta no almoço de domingo. Todos discutiam se valia a pena o espetáculo, o alto valor cobrado pelo ingresso, a relação entre o salário mínino e o ingresso, o meu salário em relação ao ingresso, foram rodadas de cálculo até alguém sugerir a compra do DVD pirata. Fiquei encantada com a sensibilidade e praticidade de minha família! Com certeza seria a mesma emoção. Fingi que não ouvi e sai da sala à francesa. A primeira leva de ingressos estava a venda somente para clientes american express card, os mortais comprariam se sobrasse. O coração batia pequenino. Não adiantaria falar mais nada com ninguém, embora, todos pensassem que meu silêncio significava estar conformada.
A estréia foi dia 14 de Agosto, nesse mesmo dia fui ao Iguatemi. Como uma criança que ronda a mesa do bolo da festa, passei na loja que vendia o bendito ingresso. No cartaz, as letras pareciam brilhar "3x s/ juros no cartão". A criança pensa em como pegar o bolo. Perguntei sobre as poltronas disponíveis, os preços, as possibilidades, conferi as datas. O coração bate mais rápido enquanto a mãozinha da criança puxa a toalha da mesa. Telefonei para prima Aline que repetiu não, não, não, n vezes, dava para ouvir tia Nenzinha ao lado gritando compra, compra que eu pago. Mas, Aline é trocinho tinhoso! Mandou que eu ligasse para Wlad. Fiquei quieta e segui a orientação. A criança conquista um cúmplice! Ganha prato e garfo para comer o bolo. O que ela não sabia é que Wlad retira os pregos que mantém meu corpo preso ao chão. Enche meu coração de ar quente, quando me dou conta estou flutuando acima das nuvens. De lá tudo aqui é mais bonito de ser vivido. E assim foi feito. Ele ajudou a escolher o melhor dia, horário, poltrona... Enquanto um adulto não parte o bolo a criança fique olhando, babando, desejando. Cheguei em casa e logo tratei de contar sobre a compra de meu presente. Para evitar especulações etc e tal e caixinhas de fósforo, falei na lata o valor pago pelo ingresso. Não tem problema: estou de recesso de farras por uns tempos, e essa conseqüência faz parte da minha escolha de ir ao circo. Até o dia 22, às 17 horas, somente as notícias sobre a saúde de Josué me deixaram realmente preocupada, para os outros problemas lembrei o ditado “Se tiver solução, calma, tem solução. Se não tem solução, não sofra, não tem solução!”. Comendo o bolo, se lambuzando de bolo. Tenho pouco para falar sobre a apresentação, foi tudo tão mágico, tão perfeito. Uma sensação de dúvida: está acontecendo mesmo? Me belisca! Não encontro palavras para descrever o quanto foi emocionante e inesquecível participar daquele espetáculo. Achei muito lindo o comentário de Marcos Gusmão, depois que li fiquei contando os dias para sentir o mesmo, vale à pena conferir. E como uma criança eu me lambuzei de bolo. Olha a minha cara de ressaca!


Depois do valor do ingresso, fui ao circo com pouco dinheiro e sem nenhum cartão de crédito (claro que nem precisa explicar, né? enfim...) De qualquer forma, não podia sair sem nenhuma lembrança dessa dia! Eu comprei uma picoca média... Esse baldinho é da grande, o vizinho não fez questão da lembrança rsrsrsrs.

23/08/2009

em casa...

Finalmente Josu volta para casa. Na última quinta-feira, cheguei do trabalho e recebi a notícia por telefone. Minha mãe não falou exatamente o que ele tinha, disse simplesmente "ele está cansando, ficará para tomar nebulização de duas em duas horas, como das outras vezes". Fez uma lista e pediu que eu levasse, estranhei a quantidade de itens e respondi "não é só uma noite?".
A médica suspeitava de gripe A e Josu tomaria a tal medicação "tamiflu", ele estava assustado e com medo de morrer. A pediatra dele achou melhor tomar a tal medicação mesmo, porque o vírus H1N1 se não for tratado nas primeira 48 horas depois é impossível controlar... suspeita por suspeita, tamiflu pra dentro!
Confesso ter ficado assustada quando percebi a angústia dos enfermeiros na emergência. Na primeira noite, quando tudo era suspeita, eles evitavam entrar no quarto e passavam a medicação pela porta.
Tratamento feito, quadro de saúde estável, almoço de domingo garantido. Graças a Deus foi só mais uma crise de asma.

21/08/2009

Josué, 13 anos

- ai irmão, estou tão mexida...
- mexida como os ovos que eu comi hoje no jantar? kkkkkkkkkkk

- irmão, me dá um abraço?
- toma!
- hum?????
- abraço via bluetooth! kkkkkkkkkkkk

@#$%¨& cromossomos diferentes!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
:D

19/08/2009

Ritmos de outono


Sabia que iria encontrá-lo na volta para casa. O ponto de ônibus ficava em frente a empresa de telefonia onde trabalhava, conseguia identificar o ônibus de longe, aquela visão vinha sempre acompanhada de frio na barriga. Várias pessoas dão sinal. Ela aguardava todos subirem, gostava de ser a última assim poderia conversar com ele sem deixar explícito seu interesse. A impessoalidade do trabalho durante o dia deixava qualquer conversa acompanhada de um olhar com um sabor todo especial. Principalmente dele que sempre era cordial, talvez por ofício, embora preferisse acreditar na possibilidade de interesse recíproco. O momento exato que passou a reparar os detalhes da barba bem feita dele não sabia responder. Ela sabia que ele aceitaria o amendoim comprado no ambulante e, por isso, sempre havia dinheiro trocado na bolsinha de moedas. Ela sabia que chegando ao final de linha ele daria um tchauzinho seguido de uma piscadinha de olho o que deixaria sua tarde propícia a planos. E assim eram todas as tardes. Assim eram seus dias, fazendo planos...

Planos são caminhadas no outono. O ritmo dos passos, o vento frio acariciando seus cabelos. Como numa valsa, no rodopio a saia se entrega ao bailado, lembrando que mesmo nos passos marcados o imprevisível simplesmente acontece. As folhas enfeitam o asfalto. No centro da praça um banco vazio. As árvores nuas acompanham seus passos. Não há limites, o asfalto segue para o infinito. Eco e medo. Ela volta. Senta no banco da praça. Ali ela sabe dançar com o vento.

17/08/2009

Sabor de carinho




EU DESEJO CARINHO SABOR MAÇÃ SEMPRE.

Agosto de Jorge


A primeira vez que li Jorge Amado eu estava estudando para o vestibular. Naquela fase queria o novo, o diferente e ler sobre as ladeiras de minha cidade, o molejo de nossa gente, o vocabulário familiar nada disso me animou muito. Como tantos outros vestibulandos recorri aos suplementos, resumos e resenhas. Pouco tempo depois, longe de Salvador, lia e ficava emocionada, parecia outro livro, outras palavras. Foi na faculdade que eu descobri o gosto pela leitura, eu era outra pessoa. Recentemente, durante uma rodada de panizza, Mayrant Gallo fez um comentário sobre Jubiabá, sobre o existecialismo da obra de Jorge Amado, a luta de Antônio Balduíno para fazer seu futuro. Fiquei encantada, resultado estou “re-“ lendo o romance. Parece outro livro, outras palavras, eu sou outra pessoa.

“Agosto de Jorge” - Perdida nesse encantamento descobri que acontecerá nos dias 27, 28 e 29 de agosto o Seminário Novas Letras, promovido pelo Núcleo do Livro, Leitura e Literatura (NLLL) da Fundação Pedro Calmon/Secult-Ba. As palestras acontecerão na Academia de Letras da Bahia, a partir das 15h. Na sexta-feira, o ponto de encontro é na LDM Livraria Multicampi, a partir das 17h, o dia será dedicado a um dos principais romances escritos por Jorge Amado Jubiabá e depois da palestra será o lançamento de Jubiabá em quadrinhos. Vale dizer que numa das mesas teremos Eliana Mara e Lima Trindade, escritores lindos que eu adoro. Mais informações: ASCOM Fundação Pedro Calmon (71) 3116-6918 / 6676

13/08/2009

Eu gosto de Eduardo Suplicy

Eu gosto de Eduardo Suplicy. Simplesmente gosto como gosto de quem faz coleta seletiva em casa, como gosto de quem sai para caminhar pela manhã, como gosto de quem come coisas saudáveis, como gosto de quem prega a paz, o amor e a floresta Amazônica. Eu gosto de Eduardo Suplicy porque ele transmite tranqüilidade e suas opiniões românticas, de alguma maneira, mexem comigo.

Do trabalho para faculdade, entre o Iguatemi e o Costa Azul, são quatro pontos de ônibus, demoraria 15 minutos, não tivesse que fazer esse percurso às 18 horas. Quem mora em Salvador sabe o sufoco que é passar pela Avenida Tancredo Neves nesse horário. Além do engarrafamento, o ônibus está sempre cheio e ainda tem o inconveniente revezamento dos pedintes e dos vendedores. Na volta para casa, eram tantos sacos de lixo no passeio que os pedestres disputavam espaço com os carros no asfalto. Decidi não me incomodar com aquela situação até ver o cachorro que mexia nos sacos espalhados pelo passei ser escorraçado por um senhor que exigia prioridade para catar o que pudesse lhe servir. Isso não dá para fingir que não vê, o corpo reage, senti ânsia de vômito.
Em casa, li a coluna de Eduardo Suplicy na revista Caros Amigos desse mês, ele elogia o filme de Jean Charles e conclue assim "(...) Imagine: um mundo sem froteiras.". Imagine aí? Às vezes, parece que eu, realmente, vivo num aquário. Sei lá que vida é essa. Queria deitar minha cabeça no colo de um senhor calvo, que contasse histórias bonitas sobre um mundo sem propriedade, sem necessidade de ganância ou fome, sem porque matar ou porque morrer. Quem sabe assim, quando eu acordasse, seria mais uma a acreditar que esse mundo é possível.

12/08/2009

Casa arrumada, corpos vazios - Clarice

"No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais"
Belchior


Sentiu dificuldade para vestir-se naquela manhã, no armário calças jeans e blusas brancas, aqueles modelos já não lhe serviam mais. E tentando digerir toda a raiva que sentia, pegou as roupas do armário e jogou na frente da casa. Acendeu ali mesmo uma fogueira. Olhos curiosos enfeitavam as janelas das casas vizinhas. Parecia fogo na casa 27. A fumaça confirmava, era fogo. A mulher que escreve assistia a cena. Não havia maneira de digerir tamanha raiva, sufocada pela fumaça gerada por tantas vontades reprimidas, a jovem soluça e deságua. A mulher que escreve sorri. Porque choras? Olha atentamente o fogo queimando máscaras, cicatrizes, mágoas, agendas e despe-se. Tira o vestido vermelho e joga-o na mesma fogueira. Vê-lo queimar por completo. O prazer de ser é um direito das mulheres, ela sabe disso. Nua, caminha pela rua enquanto as janelas se enfeitam de madeira, os olhos não suportam tamanha ousadia. Nua, ela estava nua, sem máscaras, cicatrizes, mágoas ou passado, tampouco futuro. A idéia de tempo aprisiona, liberte-se. De longe via jovem retomar o fôlego. Outro banho. Ainda de toalha olhou de longe a fogueira, incrédula, chegou mais perto: em cima das cinzas havia uma roupa sem qualquer sinal de fogo. Um lindo vestido vermelho intacto, vista-me. E vestida, pela primeira vez, gostou do seu retrato no espelho.
Obra:Pablo Picasso, Moça diante do espelho, 1932.

09/08/2009

Entre elas

Eram duas mulheres de gênio forte
Um abismo cavado dia a dia pela ausência do toque
O desespero grita no silêncio das palavras
O que sobrava de cada encontro eram suas imagens refletidas nos estilhaços de espelhos pelo chão
Dias nublados e frutas pecas

O mesmo sinal sobre a sobrancelha direita
Insônia
Remédios para dormir

O cordão umbilical que nunca será cortado

08/08/2009

Riscos e rabiscos de mim

Foi a partir da década de 80 que pesquisadores passaram a utilizar à narrativa (auto) biográfica sobre a trajetória de escolarização nos cursos de formação de professores. A crescente utilização da abordagem biográfica em educação busca evidenciar e aprofundar representações sobre as experiências educativas e educacionais dos sujeitos, bem como potencializa entender diferentes mecanismos e processos históricos relativos à educação em seus diferentes tempos. (SOUZA, 2007)
Convencida que a escrita do memorial contribui sobremaneira para construção da identidade docente, estou às vésperas de rever minha história escolar pela terceira vez. Fiz um rascunho pouco reflexivo logo que entrei na faculdade. Para concluir o curso tive escrever outro, esse foi muito mais bacana de escrever, pois foi um relato contextualizado, escrito após muita reflexão e dois anos de terapia. Agora, na pós-graduação sou convidada novamente a esse exercício de encontro e debate: eu e minha vida na escola. A história começa aos dois anos na Escola Nossa Senhora de Fátima, seguindo para o Colégio Nossa Senhora da Conceição e Escola Tomaz de Aquino. Foram muitos santos, alguns divãs, outros tropeços e muita BR 324 até chegar aqui. [suspiros inevitáveis]. Boa viagem de resgate Bárbara!

Meu e seu

Primeiro eu troquei com Samir Mesquita um 18:30 por "Iternitências da Morte" de Saramago. Essa semana eu ganhei dois livros por causa dos contatos do blog. Theo é testemunha de tudo que conto. Gostei tanto desse negógcio de livro pra lá e livro pra cá que coloquei na barra lateral dessa página uma lista de livros que eu gostaria de ler. Sempre acreditei que é muito melhor palavras vivas que uma biblioteca só minha. A idéia é muito simples: eu quero ler e você pode ajudar. A gente pode trocar por livro que eu tenha ou você pode me emprestar o seu (eu prometo devolver, claro!).
1- As meninas - Lygia Fagundes Teles
2- O livro dos prazeres - Clarice Lispector
3- Cartas de amor - Ovídio
4- Esperando o fim de semana - Witold Rybczynski
5- O caderno vermelho - Paul Auster

04/08/2009

Meia Oito





“O desejo de escrever sobre a própria existência é um coelho de Alice, pode levar ao pesadelo ou aos belos sonhos vividos.”



Faz duas semanas que acabei a leitura de Meia Oito. Será que agora as fichas começaram a cair, será? Será que consegui compreender a intensidade que foi aquele momento histórico? No livro, duas personagens são mulheres que desejam mudar de vida, mas não sabem como fazê-lo. Entre a ebulição política da época, música, sons, drogas e desejos, elas tocam suas vidas trilhando caminhos únicos. Uma vida guiada por desejos. Dá pra ser assim mais de quarenta anos depois?

“Naquele momento somente a beleza do azul da Baía de Todos os Santos juntando com o azul mais claro do céu consolava aquela mulher. O sol ardia como um deus antigo.”

30/07/2009

Às vezes percebo uma mancha de graxa em meu braço. Daqui a alguns dias, deitarei debaixo de um Marcopolo para descansar depois do almoço. Quem sabe assim, meus dias serão tão tranqüilos como daqueles que são imunes a indignação.

29/07/2009

Um bem comum

De casa para o trabalho, do trabalho para aula, da aula para casa... perco muito tempo me deslocando para esses espaços durante o dia, utilizando ônibus ou como dizem os baianos o buzu, esse tempo dobra, dependendo da linha, talvez triplique. Tem dias que dá tempo de pensar na vida, ler a revista da semana, fazer palavras cruzadas e ainda não chega a meu ponto. Nessas horas a fofoqueira que há em mim revela-se com toda a força. Não resisto, ouço tudo mesmo, minha língua fica nervosa, sinto vontade de opinar e se encontro uma brecha, saio com amigas de infância.
Eram 18 horas, bem no horário do rush. No centro da cidade engarrafamento e ônibus cheios além do normal, algo acontecia, não lembrei que era o dia do show de Caetano na Concha e acabei presa na Piedade. A linha Ribeira/ Fazenda Garcia demorou a passar, logo ficou lotado. Sentei no fundo, atrás de mim duas amigas, aparentando uns 40 anos cada, conversam:
- Pois é, ele está aprendendo... na verdade ele nunca deixou de me ligar, sempre vai lá em casa me ver, isso foi tudo uma loucura... muito rápido, logo ela apareceu grávida, foi golpe! Ela viu o carrinho dele, a casinha da gente toda ajeitada, tá na cara!
- Mas você conseguiu perdoar ele? Tem que se amar primeiro... –
mesmo sem graça, estampando um sorriso amarelo, a amiga tentava lembrá-la em vão que, apesar de tudo, o amor próprio antecede as decisões do coração.
- Perdoar, perdoar, não, mas eu consigo, sabe? Tudo que ele fez foi de cabeça quente. Veja agora? Ele está só esperando o menino parar de amamentar para mandar ela de volta para o interior. Depois ele vai lá pra casa. [silêncio] Vamos viver juntos como uma família, eu sempre sonhei tanto com um filho homem. Um filho que a gente nunca teve, esperando as coisas melhorarem...
- E a mulher vai querer voltar? Vai dar o filho para você criar?
- Num vai o quê? É questão de dias. A gente vai ser feliz de novo. Eu nunca amei ninguém, só ele.
[silêncio, olhar distante] Vai sim, Você vai ver.
- Olhe, deixa eu me levantar porque hoje André vai trabalhar até mais tarde e eu tenho que pegar Camila no Vieirinha. Já deve estar ai na porta esperando pelo pai.
- Daqui uns dias eu estarei assim, oxente, na correria atrás de menino. –
falou e sorriu.
Uma das mulheres de levanta e sai do ônibus. A outra continua sentada, suspirando, enquanto sonha sozinha viver uma vida que nunca será sua. Eu nem acredito na conversa. Como numa novela, o capítulo acaba e eu desligo a televisão.

26/07/2009

Minguante

Ontem a lua, mesmo triste e solitária, sorriu. Eu minguante sinto uma roda viva em mim.

"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...

A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá..."
(Roda viva - Chico Buarque)

24/07/2009

Sorriso amarelo

O telefone toca no meio da manhã. Alô? Sim, posso, tenho interesse, sim estou anotando, hum-hum. Até amanhã. Chega ao local marcado com trinta minutos de antecedência, pede uma água e senta na lanchonete próxima, o nervosismo pode atrapalhar, mas é inevitável. Respira fundo, a possibilidade de mudança tão esperada está ali, é real, palpável até. Pega o elevador, a sala é a 304. Bom dia. Sim, aqui está. Obrigada. A sala é pequena, uma secretária e outras sete pessoas com a mesma esperança. Folheia alguma revista velha, finge que lê enquanto faz os exercícios de respiração e acalma-se. Todos são encaminhados para outra sala, sentam em círculo, os olhares ansiosos se entrecruzam a todo o momento. Pensou sobre o quê a teria levado naquele lugar. Aquela era a primeira vez desde que tomou a decisão. Alguém atrasado entra na sala, alguém conhecido. A possibilidade de ser descoberta a deixa desconfortável. Lembra-se que não pode se desesperar seria como desistir. Observa a parede da sala é amarela, igual ao sorriso que abre para cumprimentar a colega de trabalho que participa da mesma seleção para um novo emprego.

20/07/2009

Ser capricorniana é um saco!

Sempre achei esse papo de signo é um blá blá blá sem tamanho. Cutucada pela amiga Daiane Pitoresca fui investigar características de capricornianos. Li várias coisas pela internet, o texto menos deprê foi do site Terra mesmo assim começa mal: “'Trabalhar é preciso - sem isso, viver não é possível’. Se alguém tiver de cantarolar esta versão do famoso refrão, será certamente um capricorniano.” Imediatamente lembrei o porquê há anos deixei de acreditar na astrologia. Estamos sempre vinculados a responsabilidade, dever, trabalho, organização, prudência, seriedade, repressão, isolamento, depressão e dificuldade em relaxar (ufa!). Diga aí, tem algum signo mais sacana consigo mesmo que os capricornianos? Até amiga Daí, depois de um enviar e responder de e-mail deu o veredicto “amiga você é chatona!”. É completamente justificável que depois de ler tanta coisa horrível eu tenha ficado desencantada. Antes que alguém ofereça o seu, adianto que não gostei das características de nenhum dos outros onze signos do zodíaco. Saturno que relaxe em outras bandas por que agora, aos vinte e cinco anos, eu quero ser uma bárbara mais relaxada. E isso já dá um trabalho da @#$%%....!

16/07/2009

Casa arrumada, corpos vazios

Conto é vida escrita
Vida é um conto encenado
A verdade, às vezes, é pura ficção
Depois do banho, vesti a camisola mais bonita. Era de seda azul com bordado, veio de presente com o enxoval. Deitei suave na cama e me enrolei em seu abraço macio. Senti seu coração batendo. Adormeci encostada em seu peito e tive certeza de ter uma noite tranqüila, pois, sentia você ao meu lado. Acordei com o despertador tocando, eram sete da manhã de sábado. Meus olhos não acreditavam no que viam e as lágrimas foram inevitáveis. O lado da cama estava intacto, nenhum desarrumado, a noite inteira estive sozinha. Andei pela casa, a mesa arrumada para dois, o jantar não foi servido. Desejei voltar o tempo, trancar a porta e não deixar você sair. O desespero tomou meu corpo e sai correndo pela rua. Eu olhava para os lados não havia ninguém na rua. Na faixada das casas, as janelas e portas estavam tapadas com tijolo e cimento. Duas fileiras de paredes, um corredor cinza, depois branco, eu correndo, correndo, correndo.

O despertador toca. Ela acorda, coração palpitante. É sábado, às sete da manhã e ela está sozinha. Deitada em seu quarto, sozinha, pela primeira vez experimentou o gosto amargo da solidão. Uma casa, quarto, cozinha, banheiro, na sala um sofá e a televisão. Não estava somente sozinha, estava vazia. O cheiro de cimento da garagem inacabada. Aguardava o som do carro que não estacionava. A infinita escuridão dos olhos fechados era tudo que podia enxergar. Trêmula desejou ver as cores, mas só havia retratos de Picasso. Perdida num espiral de forma incerta, rodava sem destino e sem sair do lugar.

Um pesadelo recorrente. O que falta ela aprender? Não quero casar, não quero ter filhos, nem quero me prender a ninguém. Repetia para si mesma, tentando acreditar. Agarrava-se a mentiras contadas por outras mulheres por medo do sofrimento. Reprimia seus desejos mais sinceros e questionava-se não é o casamento uma necessidade social? Sentiu dificuldade para se vestir naquela manhã, no armário calças jeans e blusas brancas, aqueles modelitos já não lhe serviam mais.

13/07/2009

Jeremias - o profeta da chuva



“Eu nasci na fartura, não vou ficar nessa farta (...)”

Esse blog nasceu com um objetivo, mas vem tomando vida própria. Eu estou gostando disso tudo e fico feliz com o resultado. Sábado fui conferir a montagem final do espetáculo Jeremias – profeta da chuva de Adelice Souza. Não sou crítica teatral, simplesmente recomendo aos amigos. É uma peça leve, o texto é lindo, o cenário em tons de marrom, o som da areia caindo nos baldes, o teatro de bonecos, a rezadeira, tudo nos leva ao sertão. O desespero do sertanejo que não agüenta a vida sofrida que a seca impõe. Até onde deixar a família e tentar a vida na cidade é uma saída? O homem que teme suas visões. A mulher sertaneja, companheira fiel de uma vida. Alguns assuntos são tratados com muita poesia. Sai encantada! Em cartaz na sala do coro do Teatro Castro Alves, de sexta a domingo, às 20 horas, ingressos a R$ 20,00 e R$ 10,00. Quem quiser conferir algumas fotos do espetáculo passa no blog licuri ou na casa de nonana.

09/07/2009

A menina e o mar

Conta a lenda que cada moeda jogada no poço, um desejo sincero será realizado.

Ela nunca soube o momento exato que o concreto vira areia movediça. Seus passos são guiados por sentimentos. A raiva cega, os olhos não são fiéis.

Sua sensibilidade ao frio fazia com que no inverno ela andasse sempre enrolada em casacos. A brisa noturna deixava sua pele arrepiada e as pontas dos dedos roxas por isso, evitava seu maior prazer: contemplar o mar a noite. Gostava de ver o azul escuro do mar se misturar ao azul do céu, a sombra da lua, a música do mar, o cheiro salgado das águas calmas da Bahia.

Em alguma de suas vidas passadas fora marinheira, com certeza pertencera a equipe de Cabral ou Colombo, desbravando mares e conquistando terras longínquas. Essa vida em terra firme... vida refletida no vai e vem das ondas, a tranqüilidade perturbadora de só poder sonhar.

Aquela ponte leva aonde? Não tinha ponte, nem estrada, era tudo mar. Um desejo sincero crescia em seu peito, cada dia com mais força. Agora caminha em direção ao poço.

07/07/2009

Isso é que é ócio criativo!

Segundo a revista “Forbes” os famosos mais bem pagos do mundo com menos de 30 anos têm a idade média de 23. Eles são, em sua maioria, atletas, cantores e atores. Juntos, faturaram US$ 410 milhões no ano passado. Os brasileiros da lista são o jogador de futebol do Milan Ronaldinho Gaucho e a top Gisele Bündchen. Estão na lista também: a tenista russa Maria Sharapova, o piloto finlandês de Fórmula 1 Kimi Raikkonen, as cantoras americanas Beyoncé, Taylor Swift, Britney Spears e outras celebridades do show bussines e do esporte.
Para saber mais FOLHA ON LINE

06/07/2009

Ócio criativo - cadê o meu?

Tenho uma mania complicada de contar somente os dias felizes. Assim, meu calendário vai sendo elaborado contando os sábados, domingos, feriados e poucos dias "úteis". Percebi que este tende a ser um mês difícil – nenhum feriado. As oito horas que fico trancada na empresa muitas vezes soam como castigo e os dias da semana passam num ritmo frenético e sem brilho. A escapadinha para o cinema na quarta, o happy hours da sexta, o almoço no shopping e semana de aula na pós ajudam, mas ainda não é o suficiente. Porque eu não escolhi um ócio criativo ao invés do emprego? Domenico de Masi, help-me!!!

03/07/2009

Retornar

Sinto o vento frio entrando pela janela do ônibus, o silêncio dos outros passageiros, talvez a confusão de sentimentos seja compartilhada. Alguém no fundo liga o rádio “Socorro! Não estou sentindo nada”. Arnaldo Antunes torna a viagem mais dolorosa. O meu silêncio que clama seria o suficiente por essa noite de retorno. “Nem medo, nem calor, nem fogo/ Não vai dar mais pra chorar/ Nem pra rir...” é, algumas vezes a dor é assim. Sigo inerte, vejo pessoas nas ruas, algumas ainda curtem o feriado. Talvez elas não lembraram que amanhã a vida continua. Ou talvez elas saibam. Eu é que não sei. “Deve ter algum que sirva...”, chegou meu ponto, desço.

30/06/2009

Juno - último canto

E agora Juno se despede com um dia frio sem chuva.

Dia bom esse...
Dia bom para assistir um filme debaixo da coberta com o amor.
Dia bom para reler os presentes trocados dia 12.
Dia bom para reafirmar a promessa de carinhos sem fim.
Dia bom para pedir que Santo Antônio cuide dos próximos dias do ano.

Saudade

Saudade é procurar seu cheiro em meu corpo para conseguir dormir.

28/06/2009

Lembrança, carinho e espera

Arrumou a mochila, saiu apressada. Ia ao encontro do namorado e isso sempre a deixava ansiosa. Assim que pegou o ônibus, telefonou para avisar sua chegada sem sucesso, celular na caixa de mensagem. No caminho, viu o mar, sentiu o cheiro salgado, esse cenário familiar a fazia viajar pelos melhores momentos de sua vida. Quando criança não pisava na areia da praia e seu avô a carregava pacientemente, ela tem alergia contava aos outros justificando sua atitude de extremo dengo. Chegou a hora de descer. O telefone continuava sem atender. Caminhou até o prédio, os vizinhos a conheciam e não teve dificuldade para entrar.

Bateu na porta. Telefonou. Nada. Sentou. Paciência é uma virtude ainda não conquistada e ficar esperando por ele era um problema. Observou a movimentação do sábado: as crianças brincando no playground, os vizinhos trocando pratos, algumas adolescentes fantasiadas de caipira, no mesmo clima, as banderolas balançavam ao vento. Lembrou a brisa do mar, a areia que tardou a pisar, o carinho incondicional daquele homem negro. Ainda hoje é assim, quando chega em casa do trabalho ou da aula, independente do horário, ele pergunta se ela quer jantar. Não importa o desejo do dia, é concedido. Na maioria das vezes, ela recusa evitando dar trabalho. Agora adulta pisa firme da areia da praia, nos degraus da escada, sobe e desce pelas ruas de Salvador. Ficou emocionada com tantas lembranças felizes, aquele senhor nunca a deixou esperando.

- Desculpa! Estava dormindo... Está aqui há muito tempo?

- Hã?... esquece, nem vi o tempo passar.

25/06/2009

Sobre o medo

Aprendi com uma pessoa muito especial permitir ser conduzida pela leitura. Um texto chama outro, e de verso em verso encontro mais perguntas. Ontem, tive um encontro com a poesia de Adélia Prado:

Choro a capela

O poder que eu quisera é dominar meu medo.
Por este grande dom troco meu verso, meu dedo,
meus anéis e colar.
Só meu colo não ponho no machado,
porque a vida não é minha.
Com um braço só, uma só perna,
ou sem os dois de cada um, vivo e canto.
Mas com todos e medo, choro tanto
que temo dar escândalo a meus irmãos.
Mas venho e vou,
“os lobos tristes” a seu modo louvam.
Nasci vacum, berro meu
era só por montar, parir, a boa fome,
os júbilos ferozes.
As vacas velhas têm olhos tristes?
Tristeza é o nome do castigo de Deus
e virar santo é reter a alegria.
Isto eu quero.

23/06/2009

Sobre ser feliz ou ter razão

Penso sobre isso há semanas e ainda não tenho um veredicto. Sobre ser feliz ou ter razão passam muitas verdades e eu estou passando as minhas a limpo. Sempre acreditei na verdade da indignação. Na indignação capaz de fazer sairmos do estado de achar “comum” os absurdos do dia a dia, na indignação que nos leva a agir de fato. Somos cidadãos, esse é nosso dever. Passei pelo constrangimento de cruzar com uma cena de violência ao sair de casa no caminho do trabalho. Era uma agressão a uma mulher, uma briga de casal, um roubo, acerto de drogas? Agora nada importa. A verdade é que vi tudo, fiquei parada, senti vontade de vomitar, de correr. Minhas pernas bambas não respondiam ao comando. Pedi a Deus para me tirar dali. Quando finalmente consegui chegar num lugar seguro, senti vontade de chorar, de voltar para casa, por favor, alguém ajude aquela mulher. E o que eu fiz depois de recuperada do susto? Segui o planejamento do dia.
Entre a razão e a felicidade existem as situações da vida real. Nesses momentos somos testados e fica evidenciada nossa fragilidade, quão somos vulneráveis. Sobre ser feliz ou ter razão continuo sem resposta...
Hoje à noite todo o nordeste deve estar em festa. Meus vizinhos dançam forró e as crianças queimam fogos. Eu estou buscando respostas. Por esse post-desabafo-doido, devo um buquê de flores a Genúsia.

22/06/2009

Uma manhã de segunda-feira

Como todos os dias da semana, levanta da cama, banho, um copo de vitamina de banana. Sai de casa e vira a primeira esquina, na seqüência, deve descer 130 degraus até chegar ao ponto de ônibus. Depois de 50 degraus avista um casal agarrado, um abraço torto, eram 7:15 de uma manhã de terça-feira - isso é hora? - Os braços se puxam, balançam de um lado a outro, encostam na parede e caem no chão, o homem dá dois socos na mulher que o agarra pelo pescoço, caem novamente. O homem consegue se esquivar e começa a subir as escadas. Vê toda a cena, inerte, suas pernas bambas não se mexem nem mesmo quando o homem passa ao seu lado enquanto sobe as escadas. Um embrulho no estômago, sentiu o gosto da vitamina que voltava, respirou fundo e continuou, ainda faltavam 80 degraus. Quando passou ao lado da mulher ouviu-a remungando “Porra! Deixe pelo menos o chip comigo!”. O ônibus já estava parado no ponto, atravessou a rua numa corrida rápida e conseguiu pegá-lo. Chegou no trabalho a tempo de bater o cartão.

16/06/2009

Minha imagem

É engraçado essa coisa de se apresentar às pessoas. Os velhos amigos têm uma imagem sua, os novos outra, os colegas do trabalho, os colegas da faculdade, a família... um amigo meu, das antigas leu este blog e disse “poxa, como você está mal, passando por tudo isso”. Respondi que agora eu estou bem. Nós vemos as pessoas sorrindo no dia a dia e nem imaginamos o que passa por dentro delas, suas dúvidas e angústias.

Falo sobre uma garota Jolie que planejou sua vida e viu o planejamento dar certo até a data da formatura. Depois disso, percebeu que aquele mundo conhecido, não era mais o mesmo. Faltavam ali os muros da universidade e os amigos sempre por perto. Começar em outra cidade, procurar emprego sem as indicações necessárias, novas regras e hora de voltar para casa. Um ano depois, um sorriso sem batom e oito quilos mais magra. Todas as angústias fermentando dentro dela, um vinho que se tornara vinagre, difícil de degustar. O silêncio que sempre deixa marcas no corpo. Um grande espelho difícil de encarar. Tornar-se adulto não é tão fácil.

Conhecemos tantas histórias parecidas com essa. Hoje olho para trás e consigo me expor tão calmamente. Sempre registro tudo em minhas agendas, que se acumulam há mais de uma década. Tento jogá-las fora, deixar o passado quieto. Refaço meus planos deixando um espaço para o acaso marcar presença. Agora há em mim uma áurea de esperança e serenidade. Será maturidade? Não sei se é realmente necessário explicar todas as coisas. Coloco minhas cartas em cima da mesa e percebo que também prefiro verdades inventadas. Estou remando, estou escrevendo meu próprio destino. Agora permito que o batom enfeite meus lábios.

12/06/2009

juno - canto quatro

Ser no singular e ser no plural
Sou do grupo de pessoas que acredita que o amor entre um homem e uma mulher pode durar por uma vida inteira. Acredito que é fundamental para unir duas pessoas os seguintes ingredientes: sentimento, ideal de vida, prazer. O sentimento nasce como paixão, amadurece para o companheirismo. Logo o casal começa traçar planos juntos e percebem que suas vidas estão se entrelaçando, os sonhos são compartilhados e o desejo de um é a vontade dos dois. O prazer é transversal, está presente em todas as fases, os beijos, as primeiras carícias, o sexo, a comida, a caminhada na beira de praia, a soneca na rede depois do almoço. Na medida certa, ser no singular e ser no plural. E todos verão um no outro. Não tenho muitos motivos para acreditar nessa verdade, não é empírico, é intuitivo. Nem tenho uma experiência de vida suficiente que valide tão intuição. Eu simplesmente acredito nisso. Hoje é dia dos namorados e eu estou pensando nessas coisas. Não existe possibilidade de pensar em John Lennon sem pensar imediatamente em Yoko Ono. Estou pensando que pode ter sido dessa forma com eles. É clichê? Pode ser! O amor é assim, toca cada um de uma maneira, mas é sempre o mesmo amor. Hoje eu tenho só um motivo para acreditar que esse amor é possível.

09/06/2009

Desejo cores


Desejo todas as cores de Frida Kahlo. Toda tua força e libido. Invejo sua coragem de olhar no espelho, de pintar sua linda dor colorida. Desejo teu sangue mensal correndo em minhas veias, dando novo ritmo ao meu batimento cardíaco. Falta-me a tua coragem para desejar outros tantos desejos. E quantos outros escondidos sob o véu inconsciente esconderijo. Labirinto de veias percorrem meu corpo oco, só desejo proibido. E, enquanto aguardo o tempo de gestação de um desejo, outro desejo engravido. O silêncio grita e a coluna em S denúncia as dores desses desejos adormecidos.
Obra: As duas Fridas - 1939

06/06/2009

juno - canto três

primeiro encontro
eu conheci a poesia no aeroporto
chegou tímida e foi me encantando
logo estava perdidamente apaixonada
desde então, ler é sinômino de amar
leio para manter a chama acesa
leio para quando queimar em combustão
não sobrar cinzas e sim versos
que contem como tudo mudou depois desse encontro

04/06/2009

juno - canto dois

Românticas ou não, nós mulheres sempre temos músicas incríveis que marcaram aqueles momentos especiais com aquele carinha que de repente abrimos os olhos e percebemos que ele nem é tudo isso! A regra é não se culpar por isso, acontece!! rsrsrs Outras vezes ele tão especial que dá frio na barriga de lembrar dos seus beijos mesmo depois de tempos namorando.


Assim, preparei uma sugestão de trilha sonora do jantar do dia 12:

Eu sei que vou te amar - Tom Jobim
Eu preciso de você - Roberto Carlos
Carinhoso - Pixinguinha
Dia branco - Geraldo Azevedo
A primeira vista - Chico César

família aê, família aa

Meu melhor amigo está formando em direito - que ótimo! Passou no mestrado na FGV, sua namorada está grávida de seis meses, ele está explodindo de felicidade por causa do casamento e de mala arrumada para São Paulo. Viva! Viva! Viva! Embora esteja imensamente feliz com suas conquistas, essas novidades me deixaram confusa. Fico com inveja dessas pessoas que se lançam de corpo e alma em seus sonhos e planos, é mole? Não à toa somos amigos há tantos anos. Durante o encontro ele repetiu algumas vezes Barbie você é jovem, o momento é agora. Danço minha vida a passos de valsa, acho que está na hora de experimentar novos ritmos. Desejo toda felicidade para essa nova família que se forma. Beijos para Ari, Rê e baby Lúcio Souza

02/06/2009

outro caminho

Se alguém me contasse eu não acreditaria. Ontem, participei de um evento na faculdade e cheguei em casa mais tarde e mais cansada que o costume. Banho, leite quente, em leitura para acalmar os pensamento e o coração. Peguei o livro de Manuel Bandeira, abri:

O poema do beco
Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
— O que eu vejo é o beco.


Fiquei intrigada, estou tentando sair dessa fase confusa, tentando ver outra saída além do beco, tentando encontrar outro caminho além da comum luz no fim do túnel, uma curva. Tentando lembrar onde larguei o fio de Ariadne. Fechei o livro, dormir ficou ainda mais complicado. Vira para um lado, outro lado, outro livro. E encontro com José Régio e seu rebelde “Cântico negro”. Coincidência? Um sinal? Nada de especial? Não. Fiquei a me perguntar quem mandou esse sinal para mim. Alguém que me ama? Deus? Uma conspiração do universo? O segredo? O sinal dizia não vá por ai. Mas qual será o outro caminho? Haverá de fato? Quero abrir o coração ao máximo para entender essas mensagens. Há outro caminho e eu vou encontrá-lo. Fiquei tão cheia quanto a lua, várias perguntas, nenhuma resposta. Única certeza é que não vou por ai.

Cântico negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí!
Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

01/06/2009

juno - canto um

É chegado o mês de Junho e, para uma romântica como eu, a comemoração do dia dos namorados começa hoje! Para não ficar brega demais eu repito par a mim mesma à máxima que diz “os clássicos são clássico, nunca saem de moda”. Dito isso, acordar com um “bom dia meu amor”, telefonar no meio do dia e dizer “te amo” ou “estou com saudade”, uma fugida para o cinema no meio da semana, jantar a luz de velas, flores [suspiros, vários suspiros]... enfim, comigo pode ser sempre, não canso. Como canta Vanessa da Mata eu quero beijos intermináveis até que os olhos mudem de cor. Por vezes policio esse romantismo agudo, mas lutar contra a natureza é ainda mais difícil, sejamos, pois como o bambu que se curva a força do vento.
Para os românticos como eu, tentarei ficar menos dow e colocar textos com a temática do mês nesse blog. Para começarmos bem, uma foto clássica:







O Beijo do Hotel De Ville, foto de Robert Doisneau em 1950

31/05/2009

caminho



só vejo

beco sem curvas

passos perdidos

enxergando pelas mãos

medo minotauro


para frente sempre

tudo em preto e branco

sem fio para conduzir

não há caminho seguro


foto dos corredores da fundação iberê camargo em porto alegre, barberix em maio/09.

28/05/2009

bonsai



A tradução da palavra bonsai significa árvore na bandeja, portanto, trata-se de uma planta adulta, que por meio de sucessivas podas nas raízes e na copa, permanece pequena, a ponto de viver num vaso.



Como controlar o crescimento da árvore:



  • Restrição do crescimento das raízes pelo vaso utilizado: uma árvore não possui essa restrição na natureza, por isso cresce livremente.

  • Poda das raízes: dependendo da idade e espécie da árvore, as raízes são podadas, em geral no inverno, pois a planta está em estado de dormência, e é realizada a troca da terra.

  • Uso de adubos com menor quantidade de nitrogênio: o nitrogênio em excesso provoca crescimento acelerado e folhas com tamanho maior que o desejado.

  • Rega em quantidades moderadas: a rigor, deve usar-se a sensibilidade, regar quando a terra estiver seca, e não regar quando ela estiver ainda úmida.

26/05/2009

adolescendo

Ando pensativa, meus pensamentos querem uma explicação para todas as coisas e eu fico criando um grande dicionário para traduzir tudo o que sinto. Não basta o Aurélio, nem Adriana Falcão, quero palavras com significados únicos, assim como sentimentos são.

Quando a concha começou a gostar do balanço do mar... era mar vermelho, mar sem fim ou mar morto. Eu gosto de ficar em meu jardim secreto, pouco a pouco abro suas grades desse i-spaço, recebo i-amigos, fico entre as flores e esses versinhos de rimas tortas. Sinto-me adolescendo: espinhas e pelos.

lamento

Lamento é flor murcha
antes que a primavera
dê seu último suspiro

23/05/2009

dúvida

Dúvida é uma pedra
amarrada ao pescoço
de um corpo
atirado num poço