09/07/2009

A menina e o mar

Conta a lenda que cada moeda jogada no poço, um desejo sincero será realizado.

Ela nunca soube o momento exato que o concreto vira areia movediça. Seus passos são guiados por sentimentos. A raiva cega, os olhos não são fiéis.

Sua sensibilidade ao frio fazia com que no inverno ela andasse sempre enrolada em casacos. A brisa noturna deixava sua pele arrepiada e as pontas dos dedos roxas por isso, evitava seu maior prazer: contemplar o mar a noite. Gostava de ver o azul escuro do mar se misturar ao azul do céu, a sombra da lua, a música do mar, o cheiro salgado das águas calmas da Bahia.

Em alguma de suas vidas passadas fora marinheira, com certeza pertencera a equipe de Cabral ou Colombo, desbravando mares e conquistando terras longínquas. Essa vida em terra firme... vida refletida no vai e vem das ondas, a tranqüilidade perturbadora de só poder sonhar.

Aquela ponte leva aonde? Não tinha ponte, nem estrada, era tudo mar. Um desejo sincero crescia em seu peito, cada dia com mais força. Agora caminha em direção ao poço.

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